Ozonioterapia
Herpes, queimaduras, úlceras venovas, gangrena diabética , lesões da pele, distúrbios intestinais, doenças reumáticas e articulares, hepatite C, hérnia de disco e até cárie.
Esses e muitos outros males têm sido tratados com sucesso pela ozonioterapia, técnica usada em muitos países europeus e que ganha adeptos em todo o mundo.
Há relatos impressionantes. Este por exemplo: ”Em dezembro passado, no Hospital São Luiz, em São Paulo, uma paciente diabética com gangrena num dos pés, que teria a perna amputada, foi tratada com ozônio e a amputação não precisou ser feita”, conta Glacus de Souza Brito, alergista e imunologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.
O Tratamento consiste basicamente na aplicação de ozônio diluído em oxigênio. Contra artrite, artróse, hérnia de disco e problemas no joelho, a mistura de gases é injetada no próprio local. No caso de males circulatórios, colite, hepatite e cirrose, é preciso usar uma mangueira fina no ânus ou na vagina.
O método varia conforme o problema a ser tratado, mas a ação é uma só: absorvido pelo organismo, o ozônio transforma-se numa forma de oxigênio altamente reativo, capaz de matar alguns tipos de bactéria, vírus, fungo e célula tumoral, além de estimular o sistema imunológico e melhorar a oxigenação dos tecidos. Por aqui a novidade está dando o que falar desde o final do ano passado.
Quando aconteceu uma conferência sobre o uso medicinal e odontológico do gás, em Santo André, na Grande São Paulo. A prefeitura dessa cidade, aliás, está criando um centro de pesquisas em parceria com institutos de Cuba, da Alemanha e da Itália, onde a terapia é largamente utilizada.
Outros países, como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Japão, Argentina, Israel e Egito, também já investigam essa terapia. A Ozonioterapia não é reconhecida, mas também não é proibida. Faltam estudos conclusivos sobre benefícios e efeitos colaterais.
Não é de hoje que o ozônio vem sendo testado. Logo após sua descoberta, por volta de 1840, foi construído o primeiro gerador que possibilitou as pesquisas pioneiras sobre o poder bactericida do gás, confirmado, aliás, logo de cara. Porém, a falta de materiais resistentes à sua alta oxidação, como o plástico, atrasou o desenvolvimento de equipamentos e seu uso medicinal.
Obtido em moléculas de oxigênio a partir de uma descarga elétrica de 12 mil a 15 mil volts, o ozônio é a esperança de redução de custos nos sistemas públicos de saúde. Só que, por enquanto, está no rol terapias experimentais, tanto no Brasil como no exterior. “A Técnica ainda não é reconhecida nem mesmo nos países onde é utilizada há mais tempo”, afirma o médico sanitarista Moacyr Esteves Perches, de São Paulo. A justificativa é simples. “O tratamento rotineiro não é adotado porque a literatura médica não dispõe de estudos bem fundamentos que confirmem sua eficácia” diz o parecer do médico Mario José Abdalla Saad, do Conselho Federal de Medicina.
Ou seja, as evidências clínicas que intrigam muitos médicos e os inúmeros relatos sobre o êxito do tratamento em pacientes de todo o mundo ainda são inconvicentes para a comunidade científica. “Apesar do conhecimento acumulado sobre o ozônio, não se sabe de que forma ele mataria as células de muitos microorganismos e tumores sem afetar as células sadias do corpo humano”, diz o cirurgião Oswaldo Molla, da Santa Casa de São Paulo, que estuda o assunto há quatro anos. “Também falta descobrir como foram determinadas as concentrações do gás usadas nas diversas aplicações e quais as doses máximas suportadas pelo organismo.”
Como todo medicamento, o gás pode trazer danos à saúde e até matar se não for usado adequadamente – alertam os especialistas.
Sem contar que os efeitos colaterais ainda são desconhecidos. A única certeza é de que o ozônio não deve ser inalado, já que é altamente prejudicial aos pulmões. O fato de não ser reconhecida não significa que a terapia seja proibida.
O mesmo parecer do Conselho Federal de Medicina diz que ela pode ser utilizada desde que haja protocolos de pesquisa submetidos e aprovados por comitês de ética em pesquisas com seres humanos. Com esse respaldo, dezenas de clínicas médicas e odontológicas de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul já disponibilizavam esse tratamento muito antes de ele começar a ser divulgado.
A falta de habilitação para aplicação de procedimento, no entanto, preocupa muitos médicos. Tanto que eles estão organizando uma sociedade brasileira de estudos sobre o ozônio, com o objetivo de oferecer cursos de especialização e obter o reconhecimento das autoridades médicas.
Se os estudos são insuficientes, isso se deve principalmente à falta de recursos financeiros. “As grandes indústrias farmacêuticas ainda não mostraram interesse em financiar pesquisas”, diz Glacus de Souza Brito, entusiasta da técnica. “Em compensação, universidades como a USP, entre outras, estão se mobilizando para o desenvolvimento de pesquisas sobre o ozônio em várias áreas da medicina e da odontologia.







